27/11/2011
Not so yin, nor so yang (ou por que passei tanto tempo sem postar)
Eu sei que eu tinha me proposto aqui a escrever ao menos um post por semana. E falhei. Conscientemente.
Aconteceram muitas coisas nesse meio tempo, algumas que pareciam muito ruins e outras que a primeira vista pareciam boas demais para que eu sequer acreditasse.
No que isso influi na periodicidade dos meus posts? Eu não gosto de escrever sobre a vida quando minha visão sobre ela está embaçada, seja sob o véu de coisas que me atormentam, seja sob a luminosidade repentina de algo maravilhoso, porque eu sei que nesses momentos eu perco pelo menos algum tanto da racionalidade com a qual tento guiar minha vida e criar para mim impressões sólidas sobre o mundo.
Isso ocorre também porque acredito que é muito difícil que algo seja tão bom ou tão ruim, nos extremos. Que nada é tão facilmente preto no branco. Que nada é tão yin ou yang.
O yin simboliza o ativo, o luminoso, o quente. O yang é o passivo, o escuro, o frio. Traz-se a ideia de que ambos se complementam para gerar equilíbrio. Acredito, sim, em tentarmos obter equilíbrio em nossas vidas - acho extremamente saudável até. Mas acredito que (quase) ninguém é tão bom ou tão ruim para ser colocado nos extremos. E que quase nenhum acontecimento pode ser tido só como bom ou ruim.
Sou adepta da famosa máxima de que "entre o preto e o branco existem todos os tons de cinza". Muito difícil algo ser 0% ou 100%K (escala CMYK: ON). Se algo de muito ruim te acontece, no mínimo você vai ter o benefício de ter aprendido como lidar com/evitar aquela situação, para que não ocorra tanto mal novamente. No final das contas, por pior que tenha sido a situação, vai ter resultado no máximo em uns 98%K - parece totalmente preto, mas não é. Em compensação, às vezes acontece algo tão bom que aquilo te tira do foco do resto das coisas, acabando por te prejudicar nelas. Daí o que parecia 0%K, pode ir ficando cada vez mais cinzento ao passo em que você vai avaliando os potenciais danos.
Isso vale também para as pessoas que recebemos em nossas vidas. Vamos aos exemplos: uma pessoa pode a princípio parecer completamente rude ao te fazer críticas, mas aquilo acaba servindo a seu crescimento; outra pode lhe proporcionar o que parecem ótimos momentos e companhia, mas você pode acabar percebendo que aquilo tudo foi feito somente em benefício próprio, te deixando desorientado/desiludido/etc por um bom tempo.
Eis que é isso: prefiro não escrever sobre o que quer que seja enquanto há o risco de fazer tempestade em copo d'água ou parecer radiantemente feliz por algo que ainda não se firmou tão reluzente assim. Isso porque mesmo que eu não se escreva sobre o que está se passando (e, acreditem: já tenho outros 12 tópicos para posts salvos ao longo dos últimos meses) tudo parece pior quando não se está bem, ou releva-se os pontos negativos quando a vida parece boa demais a ponto de passar de preto e branco a C ou M...
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