Sempre que procuro por alguma opção para acalmar minha vida penso: vou virar monja.
Uma coisa que me entristeceria muito no processo seria ter que - de acordo com os princípios de desapego material que regem a função - usar sempre aquela roupa laranja. Sentiria falta das minhas peruíces! É uma futilidade na minha vida?! É. Mas me sinto muito bem quando sinto-me cuidando de mim,o que inclui me cuidar fisicamente, também no âmbito da aparência.
Virando monja, já eram todas as outras cores e estampas ("Será que em algum momento monja usa preto? Sentiria falta disso..."), todos os acessórios (a não ser aqueles que façam partes dos rituais e da própria cultura), todos meus sapatos (nunca mais salto alto - tá, eu não sou pequena, então a falta não seria da altura dos saltos, mas da beleza dos sapatos), todos os meus cosméticos e maquiagens ("Monja pode usar batom? Se não puder, eu uso assim mesmo... haha").
De fato, ter um uniforme às vezes é muito prático. Lembro de acordar para ir para o colégio, vestir jeans, tênis e a blusa de uniforme (Academia!) e sair de casa, morrendo de sono, mas feliz por não ter que me preocupar muito com minha aparência - basicamente, estaria todo mundo igual (exceto pelas meninas que se entupiam de maquiagem e insistiam em ir pra aula de short curtíssimo para chamar a atenção).
Mas eu gosto de ser vaidosa. Se chego ao ponto do pecado, não sei. Não gosto é da ideia de parecer exatamente do mesmo jeito o tempo todo. E laranja nem é das cores de que mais gosto... Conheço quem diga que a cor laranja lhe altere o humor, trazendo irritação - o que não bate com a calma dos monges.
Pensando no uniforme laranja, me vieram à cabeça logo outros dois uniformes laranja: os dos presos dos Estados Unidos e o dos funcionários da limpeza urbana da minha cidade, Juiz de Fora. E num pensamento random, me veio justo o ciclo: uniforme de presa > de gari > de monja.
Como assim, minha gente?! Eu explico! Eu estava presa em uma situação, saí dela e,consequentemente, com a ruptura, minha vida estava uma bagunça completa; restou, para que eu limpasse, a sujeira que isso deixou; o passo seguinte é achar paz.
Em que ponto estou? Como disse, me soltei das minhas amarras. Mas não sei se ainda estou terminando de tirar o lixo ou se já estou na busca por um novo equilíbrio. Ou talvez sejam coisas simultâneas, vai saber. Mas obter a paz em si, ainda não - ainda estou aflita, inquieta, em relação a muita coisa.
Talvez um dia eu chegue lá. Talvez eu tenha uma iluminação e resolva de fato virar monja. Mas mais provável, quando eu estiver achando que encontrei um ponto em que me fixar, que mais coisas mudem, que algo novo (ou alguém novo, quem sabe um dia) me leve a passar por várias outras transformações. Mas que isso ocorra em paz, por favor.
Na verdade, eu quero a paz, mas a paz em movimento.

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