19/09/2011

O homem do (meu) futuro



Eis que assisti a "O homem do futuro". Fui sem qualquer pretensão, achando que o filme seria absurdamente bobo. Tá. Não é uma obra priiiima. Mas considerando o gênero "comédia romântica", dá um banho em muito filme Hollywoodiano. 


A sinopse do filme que se encontra por aí: Zero é um cientista genial, porém infeliz, que odeia a própria vida. Há 20 anos, foi humilhado publicamente na faculdade e perdeu o grande amor de sua vida - Helena. Prestes a ser demitido, Zero aciona, antes de totalmente concluído, o acelerador de partículas mais barato do mundo. O experimento fracassa, mas Zero acidentalmente volta ao passado e se vê diante da chance de alterá-lo. Nosso herói vai aprender que tentar manipular os caminhos do tempo é mais difícil (e confuso) do que parece. Zero retorna a um presente alterado e descobre que se transformou em um canalha. Pior, a nova realidade o separou ainda mais de Helena. Sua única saída é voltar novamente ao passado e impedir ele mesmo de alterar o presente.


E a partir daqui, contém spoilers - mesmo esse gênero de filme não permitindo muito isso. 


E eu já estou prevendo um post gigante, tantas as coisas que randomicamente me passaram pela cabeça.


O poster pra dar um espaço para quem não quiser ler potenciais spoilers


"Eu quero que você fique absolutamente calmo e que confie em mim." 


É o que Zero em todas as suas versões fala para todos que encontra no passado (mais precisamente em 1991) que visita quando tem que explicar o que está acontecendo. E seus amigos e sua amada (e ele mesmo na versão mais jovem) confiam no Zero do futuro, fazendo exatamente o que ele determina para que seja alcançado o resultado desejado em 2011.


Isso me lembrou Alladin, nas vezes em que ele pergunta a Jasmine "Você confia em mim?"


"Você confia em mim? Confia em mim?"


Isso demonstra uma certa tendência universal de se confiar em quem amamos. É natural. E são naturais as desilusões provenientes disso. Por experiências pelas quais passei ao longo da vida, fui gradativamente mudando, para evitar a fadiga, tenho mudado de perspectiva: não confiar em quem amo, mas confiar nas pessoas que me amam (e não tô falando de homens exclusivamente, que fique bem claro). Tudo bem que amor não é um dado objetivo, mas dá para saber quem te ama tão solidamente que não arriscaria te arriscar. Isso restringe as pessoas em quem confiar? Sim, mas existem diferentes níveis de confiança, o que dizer ou fazer para uma pessoa e que aquilo não te coloque futuramente em situações difíceis. 


O que me lembra a música "Misguided ghosts", do Paramore, mais especificamente por causa dos versos "The ones we trusted the most/ Pushed us far away" (ou traduzindo aproximadamente, caso alguém não entenda: "Aqueles em que mais confiamos/ Nos empurraram para longe")


Essa música é muito bonitinha, apesar de bem melancólica e desiludida.
E é um som um pouco diferente do habitual da banda.


E cantarolando a música enquanto procurava o vídeo, achei mais semelhança: "I'm going away for a while/ But I'll be back, don't try to follow me/ 'Cause I'll return as soon as possible/ See I'm trying to find my place/ But it might not be here where I feel safe/ We all learn to make mistakes/ And run from them" (algo como "Eu estou partindo por um tempo/ Mas eu vou voltar, não tente me seguir/ Por que retornarei assim que possível/ Veja, eu estou tentando achar meu lugar/ Mas talvez não seja aqui onde eu me sinta seguro/ 

Todos nós aprendemos a errar/ E correr deles"). Por que semelhança?! Porque Zero promete encontrar a jovem Helena dali a vinte anos. 


"Você é um homem pelo qual vale a pena esperar 20 anos"

É o que Helena-91 diz ao Zero-2011 quando eles se separam. Me peguei me perguntando se valeria esperar 20 anos por alguém, tendo-se a certeza de que ficariam juntos no fim desse prazo. Pergunta difícil. Se eu soubesse que o cara seria realmente incrível, que ele é o amor da minha vida, acho que, insanamente, eu seria capaz de uma coisa dessas. 

O que complica um pouco é o fato de ter achado algumas vezes (pouquississíssimas, na verdade, mas ainda assim complica a hipótese) que encontrei o homem da minha vida, ou o homem do meu futuro. Algumas vezes com mais "certeza" que outras, é certo. O que me lembra um certo pensamento ocorrido uma vez, em relação à pessoa com quem mais facilmente já me vi "envelhecendo e tendo 12 filhos": "O que estaria acontecendo hoje se tivesse dado certo com Fulano?!". Até tenho uma boa noção da resposta, mas aí a gente deixa para lá para não entregar os detalhes da minha vida assim.

"Você quer colocar o amor na equação que explica o mundo. Você quer provar que o amor existe!"

Ou algo assim é o que Helena-91 fala para Zero-91 enquanto ele lhe dá aulas particulares. Ele responde algo sobre já saber que o amor existe e que teria é que identificar como ele influencia as coisas. 

O filme fala "noobmente" sobre física quântica, sobre como cada multiplicidade de possibilidades de escolha em relação a cada evento gera múltiplos possíveis futuros, universos paralelos, essas coisas (nem vou tentar explicar direito, senão vou acabar ão terminando o post porque primeiro, se me conheço, vou acabar pesquisando tudo o que for possível sobre o assunto).

E é assim mesmo, e é aquela história do "e se" que eu já mencionei. Para cada possibilidade escolhida existem várias outras, que vão dar em caminhos diferentes. E acho que não é necessário voltar no passado mudá-lo e resgatar uma oportunidade perdida por não tê-la escolhido. É só gerar uma nova oportunidade no mesmo sentido (ou enfiar o rabinho entre as pernas, dar o braço a torcer e correr atrás do prejuízo).

"Você ainda vai mudar o mundo."

É uma frase de Helena para Zero que se repete ao longo do filme. Talvez seja legal ter alguém com o potencial de mudar o mundo, mas na verdade eu só estou querendo algo mais simples: alguém que mude meu mundo. E não precisa ser mudar radicalmente (me levando pra lua, ou qualquer coisa mirabolante), mas trazendo coisas boas para minha vida, tornando minha rotina mais agradável. 

"Eu te amo agora da mesma forma."

Ou semelhante é o que o Zero-2011 diz a Helena-91 no contexto em que ela pergunta o que vai acontecer. Eu acredito em amor eterno. Conheço pessoas que falam de seus antigos companheiros com a mesma ternura do que se eles tivessem partido ontem. Acho algumas pessoas tão compatíveis que é dificil imaginá-las separadas seja qual for o futuro ou universo paralelo em que se encontrem.

Isso me lembra algumas pessoas dizendo que eu ainda irei me casar com alguns dos meus ex. Isso porque a minha vida tem o prazer de me pregar peças e me fazer reaparecerem pessoas do meu passado e, com isso, as relações se restituírem. O mais engraçado foi quando um ex disse isso de outro. Minha resposta: "Não vou dizer que é impossível, porque ele já ressurgiu algumas vezes em épocas diferentes, distantes umas das outras. Mas para isso teríamos os dois que querer. A gente se dava realmente muito bem e terminou ainda tendo muito em comum, mas ele na época fez de tudo para que não desse certo, escolheu que fosse assim." Eu acho realmente que temos o potencial de fazer as coisas darem certo, de ter o futuro que desejamos - é só não se deixar abater frente a alguma exterioridade negativa que se imponha. 

"Somos tão jovens"

"Tempo perdido", do Legião Urbana, é a música que embala o filme, cantada pelos protagonistas. A dicotomia "Temos todo o tempo do mundo/ Não temos tempo a perder" faz para mim todo o sentido. Eu me considero "tão jovem" aos meus 23 anos, tenho noção de que ainda tenho "todo o tempo do mundo" para viver tudo o que me aguarda, mas acho cada momento tão valioso que "não tenho tempo a perder".

Eu sempre fui assim mesmo - o que justifica eu sempre ter feito muita coisa ao mesmo tempo. E para ter o máximo, acho válido correr certos riscos, cometer certos erros. Como me disse uma amiga certa vez: "Vou lá, sim, ver qual é a dele dessa vez. No máximo vou sofrer mais um pouquinho, mas pelo menos vou saber o que aconteceu. Nunca saberia o que aconteceria se não tentasse." 

Eu aqui "filosofando" sobre a música, e isso porque nem gosto assim de Legião (conheço mais ou menos os rits e só - não escuto, não sei as letras direito).

"Todo mundo sofre. O sofrimento é parte da vida. Vai ser difícil. Vai lá."

É o que aproximadamente o Zero-2011 diz para o Zero-91. O que ajuda a complementar o pensamento do tópico anterior: correr riscos implica na possibilidade de talvez sofrer. 

Destaco: talvez. E não correr o risco nos dá a certeza de não viver a possibilidade positiva, que pode lhe trazer felicidade pelo resto da vida. E a possibilidade de não reverter o quadro no futuro: ou seja, escolheu não viver uma história, talvez não haja possibilidade de resgatá-la no futuro, por mais que você tente. É, a meu ver, um risco ampliado de não ter algo bom. Mas, como já disse, se descobriu que fez besteira, tente corrigir. Vou continuar tentando corrigir minhas besteiras por aqui.

"E selvagem... selvagem... selvagem [...]

Temos nosso próprio tempo... temos nosso próprio tempo... temos nosso próprio tempo [...]
Somos tão jovens... tão jovens... tão jovens"


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