26/09/2011

Cartas de Julieta para Julieta - ou "E se?"

Mais um post inspirado por um filme. Dessa vez é "Cartas para Julieta".

Sinopse: Sophie e Victor viajam à Verona palco da história Romeu e Julieta para uma pré lua-de-mel. Só que Victor está mais interessado em fazer contatos para seu futuro restaurante em Nova York, enquanto Sophie se distrai com um grupo de voluntárias que responde cartas endereçadas à Julieta, procurando conselhos amorosos. Enquanto ajuda as voluntárias, ela encontra uma carta escrita em 1957 de uma senhora chamada Claire. Sophie responde à carta e Claire acompanhada de seu neto Charlie vão à Itália, tentar encontrar Lorenzo o verdadeiro amor de Claire.

Isso é o que você vai ver em qualquer lugar que fale do filme. No mínimo.

Spoilers à frente - mesmo, com textos do filme e tudo.




Eu amo cartas. Já as escrevi (e escrevo) várias (já falei disso aqui - mas nem sempre entrego). E Julieta é uma das formas como minha mãe me chama desde criança. Formou! Eis o título do post.

O filme é uma gracinha, apesar de previsível. Dá vontade de pegar o primeiro avião para a Itália e ficar rodando por lá (é bem road movie). Mas nem é disso que venho falar (nem do Charlie, oh! Charlie...), mas, pelo menos a princípio, da carta que Sophie escreve a Claire fazendo as vezes de Julieta. Eis:

"E" e "Se" são duas palavras tão inofensivas quanto qualquer palavra, mas coloque-as juntas lado a lado, e elas tem o poder de assombrá-la pelo resto da sua vida. "E se".. E se? E se?

Não sei como sua história acabou. Mas sei o
que você sentia na época era amor verdadeiro então nunca é tarde demais. Se era verdadeiro então, porque não o seria agora? Você só precisa ter coragem para seguir seu coração. Não sei como é sentir amor como o de Julieta, um amor pelo qual abandonar entes queridos, um amor pelo qual cruzar oceanos. Mas gosto de pensar que, se um dia sentisse, eu teria coragem de agarrá-lo. E Claire, se você não o fez, espero que um dia faça.

Com todo meu amor.


Julieta.

Absurdo. Parece que fui eu que escrevi. Pelo menos o principal é idêntico ao que eu falo (não lembro se já usei esse argumento aqui), e que falei há relativamente pouco tempo contando uma história para minha mãe.

"E se?!" - essa dúvida que fica pairando eterna é talvez mais dolorosa do que se a história tivesse se concretizado e de repente tivesse dado errado. Fifty/Fifty, não é como falam? Não há a mesma chance hipotética de dar certo ou errado? Eu sinceramente não acredito que possamos ser precisos em prever o que dará certo ou errado em um relacionamento. Não mesmo. Já me surpreendi absurdamente tanto positiva quanto negativamente, em relação a pessoas que deveriam ser consideravelmente previsíveis em seus comportamentos.

Para o amor, e para os relacionamentos humanos em geral, não há receita ou fórmula genérica perfeita. Conheço casais igualmente felizes que vivem em situações consideravelmente diferentes (para não dizer opostas). E fora que cada combinação de pessoas produz um resultado diferente - eu mesma já me peguei querendo coisas completamente diferentes em relação a relacionamentos diferentes, muito mais pelo contexto do relacionamento do que por eventuais características das personalidades dos caras com quem estive (não queria que eles mudassem, mas que alguns aspectos -logísticos, na maior parte das vezes - fossem mais práticos).

Tem uma hora em que Claire vira pra Charlie e diz "Quantas Sophies você acha que existem no mundo? Não espere 50 anos para descobrir!”

Sinceramente acho que não precisarei de tempo algum para descobrir que não existe outros "Fulanos no mundo". Tenho consciência de não ter deixado nada passar. E mais: de deixar bem claro para algumas criaturas o que estava sendo deixado para trás.

E nesse ponto eu "me acho" mesmo, acho que sou uma boa companheira: nunca houve um término em que me colocassem o dedo na cara e me apontassem coisas reprováveis que eu tivesse feito. Seria presunçoso virar e perguntar "Quantas Julianas você acha que existem no mundo?"? Nem seria. Em tais situações, tenho noção de que "burra" e "maluca" daquele jeito àquele tempo em relação a cada cidadão que passou em minha vida, era só eu mesma.

E já passei pela situação de uma pessoa descobrir que "daquele jeito só eu mesma" depois de algum tempo. Achei louvável o cara admitir isso naquela época. Até porque eu sou exatamente do tipo que se se engana, vai e faz o possível para reparar o erro. Só que, no meu caso, não precisou 50 anos para ser tarde demais.

Último trecho tirado do filme:

"Presta atenção, presta atenção, presta bastante atenção…
Eu moro em Londres uma cidade histórica, linda e vibrante na qual eu amo viver.
Você mora em Nova Yorque que é super estimada.
Como o atlântico é largo demais para atravessar todos os dias a nado, de barco ou de avião, vamos decidir isso na moeda. Mas se você não quiser aceitar isso eu deixo Londres com todo prazer se você estiver me esperando do outro lado, porque a verdade é que eu te amo, loucamente, profundamente, verdadeiramente e 
apaixonadamente!”





Tá, não é uma das cenas mais emocionantes do filme.
Mas, meninas, vocês também estariam sorrindo se ele estivesse lhes dando mole...
Ah! Charlie é advogado. Aí eu até dava uma chance para alguém da minha área profissional...kkk



É aquela coisa de as pessoas ficarem juntas se resolverem que vão. E nem precisa ter um oceano, ou "trocentos" quilômetros, no meio do caminho. Tem gente que não vai em frente por muito menos empecilho.

Esse é o Charlie no final do filme. Muito muito muito fofo. Do gênero de querer levar pra casa. Ele é bonito sim, mas nem podem dizer que é o motivo de a cena ser lindinha. Se algum dos "feios" (não gongando quem quer que seja, mas se compararmos ao cara) de quem já gostei se declarasse para mim de uma forma análoga acho que nem saberia o que dizer. Ou ia ficar tão desconfiada que perguntaria "Sério?!", ou tão animada que diria (na mesma hipótese de um oceano de distância) "Que dia eu me mudo?!".

Mas como isso ou qualquer outra forma de romance está looonge de acontecer na minha vida atual, como seria hoje minha carta para Julieta? "Mas Juliana, você vai jogar suas histórias na roda assim?!" Nããããão! Dá pra falar da minha suposta carta para Julieta de forma relativamente simples:

"Nunca passei por um romance como o seu, regado a sangue e tantas lágrimas, tão doloroso, Julieta. Então, parece bobo perguntar qualquer coisa à dona de uma das mais icônicas histórias de amor.

Entretanto, sempre tive tanta certeza quanto você sobre meus sentimentos a cada momento de minha vida em que existiram - tanta que eles às vezes chegam a me deixar sem ar. Nas poucas vezes em que ocorreram, tentei dar o máximo de oportunidades à vida para que tudo corresse bem, mesmo que isso contrariasse as perspectivas alheias, que preconizavam que nunca daria certo, mesmo sendo absolutamente clara toda a compatibilidade existente.

Estou passando (no gerúndio pois existe uma mísera ponta de credulidade) a acreditar que relacionamentos não são para mim. Na falta de uma melhor maneira de perguntar e esperando que seja inteligível: como faz?!

Grata e na pequena esperança de ter um amor tão intenso quanto o seu, mas inversamente trágico."

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