25/08/2011

Confiança - Parte 2 - Auto/hetero-confiança

Algum tempo atrás:

- Oi, Ju, tudo bem? Animada?
- Acho que tudo bem sim. E daqui a pouco eu animo.
- Resposta estranha... O que foi?
- O fulano. Ficou reclamando que eu vinha, enquanto vai ter que ficar no canto dele por causa dos compromissos que tem.
- Ele queria que você não viesse?
- Exato.
- Ciúme?!
- Sim, de certa forma, mas tô começando a achar que é pior que isso.
- Como assim, pior? E tem algo pior que ciúme?
- Falta de confiança.
- Não é a mesma coisa?
- Não. Ciúme pode ser algo originado simplesmente por atitudes alheias. Falta de confiança tem a ver com ele achar que EU vou fazer algo.
- Entendi. Mas o que você iria fazer? Jesus, a gente está saindo na nossa turma de sempre!
- Exatamente. Ele acha que nosso amigo ali dá em cima de mim. E já reclamou de eu não cortar relações mesmo ele tendo me "alertado"- as aspas sinalizadas com as mãos.
- Com aspas mesmo, porque o bonitão ali é assim com todo mundo.
- Eu já disse isso. E ele concordou. Pelo menos parcialmente.
- Então, fim de questão.
- Não. Fiquei mal com isso. Odeio quando duvidam de mim, da minha índole, do meu caráter.
- Relaxa. Ele só tá fazendo isso porque é aquele cara. Ele é bonito. Muito bonito. Você chama a atenção. E o Fulano não é láááá essas maravilhas fisicamente. Insegurança acontece.

Esse diálogo sintetiza algo que já me irritou muito. Caramba! Se você está com alguém, tem que acreditar que essa pessoa te escolheu por algum motivo, até que se prove o contrário. Você pode não ser um exemplo de beleza, mas talvez beleza não esteja no topo da escala de prioridades da outra pessoa, só para citar um exemplo.

Acho muito mesquinho isso de comparar as pessoas de um casal. Do gênero: "ela é bonita demais para ele", "ele é bem-sucedido demais para ela", e daí por diante. As pessoas se gostam porque se gostam, ora essa. E essas pressões de que os casais devem ter seus membros totalmente compatíveis e nivelados em todas as características só gera insegurança. As pessoas começam a ser extremamente controladoras por umas coisas assim e daí brigas e rompimentos passam a ser algo frequente.

No meu exemplo, o tal Mr. Bonitão poderia me pedir em casamento, com direito a cerimônia digna de conto de fadas, que eu deixaria para lá. Naquela época eu estaria disposta a abrir mão de todos os meus "bons genes" para ser feliz para sempre e ter doze filhos com as não tão apreciadas características do suposto pai. (OK. Doze não, que é exagero para os nossos tempos, talvez dois, mas deu pra entender...)

Daí meu título "auto-hetero-confiança". Você tem que confiar em si mesmo para confiar que a outra pessoa está disposta a estar com você e ponto, ou tem que confiar na outra pessoa e isso vai te trazer auto-confiança? Talvez essa resposta não importe, talvez sejam coisas reflexas, um ciclo.

O fato é que eu DETESTO que duvidem de mim (assim, mesmo, com toda a ênfase e letras garrafais - só poupei o negrito e itálico na formatação para poupar a fadiga visual). Se eu escolhi estar com alguém, eu escolhi aquela pessoa por algum bom motivo, ou uma série de bons motivos que me fizeram crer que eu estou melhor com aquela pessoa do que com qualquer outra.

(Dica: Beleza não é algo nem de longe determinante para mim - já passei por experiências das mais frustrantes com os caras mais bonitos que tive por perto. E sobre o que eu acho de mim mesma nesses termos físicos, já escrevi sobre isso - se tiver mais paciência que eu, procure o post.)

E já ouvi muitas coisas absurdas. De mais de um cara, então deve ser sina eu descobrir os caras mais sem auto-estima que se encontram por aí. Do tipo: "Eu sou um bosta, um loser, você merece coisa muito melhor", "Você é linda, inteligente, bem sucedida... Eu sou o quê? Um nada! Você merece alguém à sua altura", entre outras coisas nessa linha.

"Te disseram isso, mas era desculpa esfarrapada." - Sim, já me disseram isso. E muito provavelmente eu acreditaria que era uma desculpa qualquer para fugir do relacionamento (do gênero "o problema não é você, sou eu"), não fosse o fato de eu ter visto o sofrimento alheio, com direito a lágrimas em algumas tantas vezes.

A questão é: se eu sou tão boa assim, eu deveria ter o direito de escolher, poxa vida! Se eu sou tão foda, deveria ser bom estar acompanhado por mim, deveria ser algo para que o cara se valorizasse ("se uma garota tão legal me escolheu, eu devo ter meu valor"). A não ser que eu seja TÃO boa que eu seja um golpe humilhante na auto-estima alheia... Valha-me Deus... NÃO! De forma alguma. Eu sou só mais uma pessoa normal.

Então, resumo da ópera: pessoas, confiem em si, confiem nos seus relacionamentos, no julgamento de seus parceiros e sejam felizes. Se achar que a pessoa é "melhor" (aspas porque é conceito muito relativo a meu ver) que você de alguma forma, aproveite seu lucro! Muito provavelmente a outra pessoa vê em você tudo o que você distorcidamente não enxerga e está muito mais do que feliz com sua companhia.


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